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A casa · Araguari, Minas Gerais

Sessenta anos
com a casa acesa.

A Louçadada abriu em 1966, mudou de endereço três vezes, dobrou de tamanho quando a parede do vizinho caiu e está na mesma família desde 1969. Aqui está a história com data, endereço e nome de quem estava atrás do balcão.

O laço da Louçadada, em escala monumental e iluminado por dentro, sobre a fachada da loja no fim do entardecer
O laço aceso no entardecer. De longe, a cidade já sabe qual porta é a nossa.
Como a loja foi parar aqui

Um banco quis
esta porta.

Márcio Marra abriu a Louçadada em 1966. Três anos de praça depois, em 1969, Djalma comprou a loja e levou o negócio para uma portinha na Rua Dr. Afrânio, ao lado da banca do Raul. Nos anos 70 já eram duas portas na Manoel Bonito, com a família morando no fundo da loja: as filhas cresceram entre o estoque e o balcão.

Nos anos 80 o Bradesco chegou à cidade e cravou que o único ponto que servia para o banco era onde estava a Louçadada. Veio o presidente da CDL, veio a prefeitura, veio pressão de todo lado. Djalma sentou, negociou de igual para igual e trocou o ponto pelo endereço da Rua Rui Barbosa, 54, onde a loja está até hoje.

Nos anos 90 a família comprou o prédio. A New Man, loja de roupas da porta ao lado, fechou, a parede caiu e o salão dobrou de tamanho. Foi nesse espaço novo que a decoração entrou para valer e a casa virou o que é hoje.

e o banco que quis o ponto virou vizinho

“Eu lembro de tomar mamadeira lá.”

Gisele · sobre morar no fundo da loja
Linha do tempo

Sessenta anos
em nove datas.

Cada uma dessas linhas mudou alguma coisa no jeito da casa trabalhar: o endereço, o nome na fachada, o tamanho do salão, quem atende.

“Nem existia lista, porque acho que só tinha Louçadada mesmo.”

Karla · sobre as listas de casamento
1966

Márcio Marra abre a Louçadada em Araguari. É o ano zero da casa, e o nome nasce junto com a loja.

1969

Depois de três anos de praça, Djalma compra a loja e leva o negócio para uma portinha na Rua Dr. Afrânio, ao lado da banca do Raul. Começa ali a família que está no balcão até hoje.

Anos 70

A loja cresce para duas portas na Manoel Bonito. A família morava no fundo: loja e casa no mesmo endereço, a vida inteira acontecendo entre uma prateleira e outra.

Anos 80

O Bradesco chega à cidade e crava que o único ponto que serve para o banco é onde está a Louçadada. Djalma negocia de igual para igual e troca pelo endereço da Rua Rui Barbosa, 54.

A era de ouro

A loja vira Louça Dada Presentes e reina nas listas de casamento da cidade. Quem ia casar em Araguari abria lista aqui, e a cidade inteira sabia onde comprar o presente.

Anos 90

A família compra o prédio. A New Man fecha na porta ao lado, a parede cai e o salão dobra de tamanho. É quando a decoração entra para valer no mix da casa.

2018

A casa se despede de Dona Fátima, que fez essa história ao lado de Djalma desde o começo. Fica o jeito de receber que ela ensinou aqui dentro.

2020

A pandemia fecha o comércio e as lives da Gisele seguram o faturamento. A loja aprende a vender pela tela sem deixar de chamar a cliente pelo nome.

2026

A casa completa 60 anos. Gisele volta depois de quatro anos fora para trabalhar ao lado da irmã, Vitor Souza chega para a sucessão e Djalma, aos 88, segue vindo à loja.

Gente da casa

Quem está atrás
do balcão.

Uma família e uma mesa de almoço em comum. Quem começou, quem ensinou a receber, e quem atende você hoje.

“Eu faço por amor.”

Karla · 40 anos de casa
Djalma com a placa do Mérito Empresarial da CDL Araguari nas mãos, na noite da entrega

o pai da casa

Djalma

Comprou a loja em 1969 e negociou o ponto da Rui Barbosa nos anos 80. Recebeu o Mérito Empresarial da CDL Araguari 2018/19. Aos 88, não fica mais na frente de loja: vem porque a casa é dele.

Dona Fátima sorrindo dentro da loja, de perfil, com as prateleiras de Natal ao fundo

a mãe da casa

Dona Fátima

Esteve ao lado do Djalma desde o começo e criou as filhas dentro da loja. O jeito de receber que a casa tem até hoje é o dela: a cliente chamada pelo nome, a peça escolhida pensando em quem vai ganhar. Partiu em 2018, e continua sendo a régua.

A família e toda a equipe da Louçadada reunidas no salão da loja

quem atende você

O time da casa

Tem quem vai às feiras escolher peça por peça, quem fala com a cidade, quem embrulha, quem entrega e quem monta dentro da casa do cliente. Tem gente aqui com décadas de balcão. É esse time que atende pelo nome e lembra o que você levou da última vez.

O acervo da família

O que a gaveta guardou.

Boa parte desses 60 anos só existe em papel, nas caixas de foto da família. Estas cinco contam a mudança do letreiro, a mudança da rua e a mudança de quem está no salão.

Fotografia antiga de um desfile passando pela rua, com gente na calçada e o letreiro Louça Dada acima da loja
O letreiro do tempo em que a loja assinava Louça Dada, com o desfile passando na porta.
Fotografia antiga da rua do centro de Araguari em dia de festa, tomada por gente e bandeirinhas entre as fachadas
Dia de festa no centro: o comércio da rua trabalhava com a cidade inteira na calçada.
Operário com martelo na mão sobre o letreiro antigo, no meio da obra de troca da fachada da loja
O martelo no letreiro antigo, no dia em que a fachada trocou de cara.
Djalma e as filhas juntos no cenário de Natal montado dentro da loja, entre enfeites e peças na prateleira
Pai e filhas no cenário de Natal que a casa monta dentro do salão todo ano.
A equipe da loja de máscara, posando diante da árvore de pinhas montada no vão central
A equipe em 2020, de máscara, no ano em que as lives seguraram o faturamento.
O que não muda

Quatro coisas que
atravessaram 60 anos.

Endereço, vitrine e prateleira mudaram várias vezes. Estes quatro hábitos continuam iguais desde a portinha da Dr. Afrânio.

01

Anfitriã que atravessa a porta

A caminhonete sai cheia, a composição fica montada na casa do cliente e dorme lá. Ele vê na luz do dia seguinte, recebe visita, decide sem pressa, e o que não encantou volta sem custo nenhum. Entrega e montagem são feitas por gente da casa, nada terceirizado.

02

Olho de feira

Quatro a cinco feiras por ano, ABUP e ABCasa, atrás do que Araguari ainda não viu. A compra é feita com cliente em mente, e por isso tem mercadoria que chega aqui já vendida. Boa parte do mix é exclusiva e não se acha em qualquer loja.

03

Tradição que ousa

Foi essa casa que derrubou a parede do vizinho nos anos 90 para caber decoração, e foi ela que pegou o celular em 2020 para vender ao vivo quando o comércio fechou. Agora começa a Louçadada Ensina: a aula da casa, o que a gente explica no balcão há 60 anos, explicado também na tela.

04

Palavra de fio de bigode

O crediário da casa responde por 30 a 40% do faturamento e funciona na palavra, com gente que a loja conhece pelo nome. Prazo combinado é prazo cumprido, dos dois lados. Quem vende hoje é quem vai responder pela peça daqui a dez anos.

A história continua no balcão.

Os 60 anos servem para uma coisa só: saber compor a sua casa melhor do que a gente sabia ontem. Veja como esse trabalho acontece hoje, ou passe aqui na Rui Barbosa para conversar pessoalmente.